O vento gélido e insistente causava-me espantosos arrepios, meus cabelos esvoaçantes batiam em meu rosto com tanta intensidade que pareciam milhares de lâminas afiadas penetrando em minha pele.
Por mais que eu tentasse me manter calma, minhas mãos tremiam.
O desespero se alastrava em meu corpo como uma serpente maliciosa, eu não conseguia me lembrar de onde estava, ou talvez eu realmente nem soubesse.
Sentia-me estranha e impotente ali, nada à minha volta, apenas o vazio e o cheiro de derrota. Uma mistura de dor e agonia se entrelaçava em meu peito fazendo com que o choro ficasse prestes a transbordar. Faltava-me o ar.
Mas era a solidão que me matava aos poucos.
Cinicamente, envolto de todo aquele detrimento havia uma sensação de familiaridade, uma estranha familiaridade que aguçava o meu desespero, não pela sensação em si, mas por esse detrimento já fazer parte de mim...
De braços cruzados, fechei meus olhos com força, tentando lutar aos poucos contra o que me deteriorava;
fantasmas da minha mente.