Eles poderiam ficar ali pra sempre. Encarando o nada, ouvindo o silencio tilintar em seus ouvidos, era perfeito, era incrível. As mãos dadas, deitados na cama e olhando em direção ao teto, o som não existia, o mundo não existia, eram eles os principais, eram eles os únicos personagens de suas histórias de amor.
As roupas ainda estavam selvagemente espalhadas pelo chão, a porta trancada e a janela aberta, que deixa um vento gélido entrar, mas eles não se importavam, a sensação era boa. Ambos viram-se em direção ao outro e começaram a se encarar, ela sorriu, ele a beijou. Amor jovem.
Ela não se importava com os olhares tortos e os narizes torcidos das pessoas que passavam por eles na rua, fechou os olhos enquanto ele a guiava pelas calçadas, e rodopiaram por entre as pessoas apressadas pelo tempo, esbarrando em alguém aqui e em outros ali, e gargalharam, um som que os fazia sorrir mais e mais. Pois exagero é uma palavra que os apaixonados não conhecem.
Desviaram do destino que os seguia e sentaram num banco de praça, sob a sombra mal feita de uma castanheira torta e sentiram o vento bater forte contra seus corpos, e sentiram a razão da vida.
Naquele dia, o tempo não queria passar, mas eles estavam adorando isso. Conversaram durante horas, falaram sobre política e cinema, ela reclamou do cabelo, e ele a beijou. Amor jovem.
E como deveria de ser, as horas começaram a passar devagar, e sem que percebessem, por traz de algumas nuvens grossas, o sol envergonhado começou a desaparecer no céu.
O crepúsculo era lindo e proporcionava o cenário perfeito, a luz arroxeada fazia com que ela parecesse uma fotografia recém tirada, ele a encarava encantado, ela olhava para o chão envergonhada.
- Você é linda – Sussurrou enquanto a abraçava.
Ela quis rejeitar o elogio, mas permaneceu em silencio, porque seu coração mandou e sentiu borboletas no estomago. Sorriu.
E não existiam pessoas, não existia o tempo, não existia nada. Era possível sentir o coração dela batendo mais forte enquanto ele a abraçava, era possível enxergar a paixão dele quando ela o olhava. Amor jovem.
Eles sabiam que por mais verdadeiro que fosse não seria para sempre, nada é eterno no mundo real. Mas era real, definitivamente real.
Ela deitou no colo dele e encarou o céu, fatidicamente repetindo a cena inicial, e no mundo lá fora, as pessoas passavam, as folhas caiam, as vozes se dissipavam no ar. Mas não existiam pessoas, não existia o tempo, não existia nada.
